quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Capítulo 11
Na manhã seguinte, Jacira levantou-se cedo, vestiu-se, arrumou o quarto, foi à cozinha, fez café, esquentou o pão, tomou café, lavou a xícara, enxugou e guardou. Apanhou a bolsa e saiu.

Eram sete horas e seus pais ainda dormiam. O dia estava bonito e ela sentiu-se alegre, feliz. Ia iniciar uma vida nova. Sentiu-se livre, mais dona de si, disposta a dar o máximo na realização do novo trabalho.


Era gratificante sentir-se dona do próprio destino, decidir como queria viver dali para a frente. Em seus olhos havia um brilho novo, um entusiasmo que nunca sentira antes.


Tomou o ônibus sem se importar de viajar em pé, apertada entre uma senhora gorda carregada de pacotes e um jovem de ombros largos que tomava todo espaço fazendo com que ela se apertasse entre os dois.

No centro da cidade todos desceram e ela res­pirou aliviada. Encaminhou-se para o ponto do ônibus que a levaria até a casa de Margarida. Não tinha fila. Logo o ônibus chegou, lotado, mas todos desceram e ela subiu e acomodou-se satisfeita.

Algumas pessoas subiram e uma mulher morena pediu licença e sentou-se ao lado dela. Estava bem-vestida e um delicado perfume vinha dela.

O ônibus partiu e depois de alguns minutos de viagem, a mulher disse de repente:

- Continue assim que você vai conseguir tudo o que deseja.

Surpreendida, Jacira não entendeu bem:

- O que disse?

- Você está mudando sua vida. Pode ir em frente que vai dar certo, apesar daqueles que não desejam seu sucesso.

-   Como é que a senhora sabe? Em vez de responder a pergunta ela disse:

-   Meu nome é Lídia Martini e o seu?

-Jacira da Silva. Estou mesmo mudando de vida. Como a senhora sabe?

Lídia sorriu e respondeu:

- Às vezes eu sei o que as pessoas estão pen­sando. Senti que você deixou o emprego e está come­çando a trabalhar por conta própria.

- É verdade. E o que mais a senhora sabe?

- Na verdade, desde criança vejo espíritos e con­verso com eles, que me orientam.

Jacira sentiu um arrepio e tornou:

- A senhora não tem medo? Lídia sorriu, seus olhos brilharam quando res­pondeu:

-  Não. Eles trouxeram luz a minha vida. Com eles tenho aprendido a lidar com minhas emoções e encon­trado respostas para minhas dúvidas. Perdi o medo da morte porque eles me mostraram que só existe vida e que nosso espírito é eterno.

-  A senhora fala como um amigo meu que muito tem me ajudado.

- Não me chame de senhora. Faz-me sentir velha.

-  Não tive a intenção...

- Eu sei. Mas sinto que podemos ser amigas. - Ela tirou um cartão da bolsa, entregou-o a Jacira e continuou: - Vou descer daqui a pouco. Vá a minha casa qualquer dia destes. Alguém está me dizendo que sua vida vai mudar não só no aspecto profis­sional, mas também no afetivo. Vai conhecer uma pessoa que fará a diferença.

- Eu já conheci. Tenho um namorado. Lídia abanou a cabeça negativamente:


- Não se trata dele. Você vai conhecer quando estiver pronta.
- Como vou saber?

- Você saberá. É só o que posso dizer por agora. Mas vá a minha casa e conversaremos. Vou descer no próximo ponto. Foi um prazer conhecê-la. Sucesso para você.

-Obrigada. Eu irei sim.

Lídia desceu e Jacira, intrigada, seguiu-a com os olhos até perdê-la de vista. Cinco minutos depois, chegou sua vez de descer, mas a conversa que tivera não lhe saía da cabeça.

Foi a primeira coisa que disse para Margarida assim que chegou:
- Hoje me aconteceu uma coisa estranha. Contou tudo quanto tinham conversado e ao ter­minar Margarida tornou:

- Ela é médium. Igual ao seu Norberto que tinha um Centro Espírita e recebia o pai José. Quando pre­cisava, minha mãe ia conversar com ele, pedir con­selhos e sempre teve bons resultados. Ele ajudou muito nossa família.

-   Ela não me pareceu uma pessoa religiosa. Era uma mulher muito elegante, bem-vestida, fina, amável. Gostei dela.

-   Ela deve mesmo receber espíritos. Como ia saber tudo sobre você?

-   Ela disse que tinha amigos espirituais que lhe contavam as coisas.

- Igual seu Norberto, que tinha o pai José. Ele também era um espírito.

-   Seja como for, assim que tiver um tempinho vou fazer uma visita a ela.

-   Eu vou com você. Não vou perder essa. Ultima mente tenho me preocupado muito com o futuro do Marinho. Não sei se fiz bem em não querer que o pai dele soubesse que tivemos um filho.

-   Você nunca falou sobre isso.

-   É uma coisa que eu não gosto nem de lembrar. Mas eu era muito nova, apaixonei-me.

- Quando você engravidou ele foi embora? Margarida hesitou um pouco, depois disse:

- Eu lhe disse isso, mas não foi bem assim. Nós nunca moramos juntos. Ele era casado, tinha dois fi­lhos. Eu não quis prejudicar a família dele. Quando fiquei grávida, entendi que deveria assumir sozinha as consequências dos meus atos. Eles moravam perto da minha casa, eu não queria que ninguém soubesse que ele era o pai do meu filho.

- Você foi corajosa.

- Minha mãe brigou muito comigo. Exigia que eu dissesse o nome do responsável. Mas eu nunca disse. Meu pai ficou furioso, mandou-me embora de casa. Arrasada, mas digna, fui morar em um pensionato das freiras no bairro do Ipiranga. Lá eles recolhiam as mães solteiras, até o nascimento do bebê, e caso elas não pudessem ou não quisessem assumir a criança, arranjavam pais para fazer a adoção da criança.
 
- Você sofreu muito!


- As freiras foram muito boas comigo. Logo de início eu lhes disse que assumiria o bebê. Minha fa­mília nunca me procurou e eu fui levando. Ajudava as freiras fazendo o que podia e foi lá que aprendi corte e costura. Arranjei emprego em uma casa de família e deixava Marinho na creche com as freiras para tra­balhar. Sou muito grata a elas pelo que fizeram por mim. Economizei, comprei uma máquina de costura, comecei a costurar, e o resto você já sabe.

- A cada dia eu a admiro mais. Qualquer outra iria atrás do pai do menino, pedir dinheiro, brigar na justiça. Você foi muito digna.

-   E não me arrependo. Acho até que o Hélio gos­tava muito de mim. Soube que me procurou muito. Eu custei a esquecer o amor que sentia por ele. Mas de que me adiantaria lhe contar a verdade? 

Ele estava casado, tinha dois filhos. Não acho que iria separar-se da família por minha causa. Mas se ele quisesse fazer isso, eu ia me sentir muito mal por ter sido a causa da dissolução de uma família. 

Afinal, eu me apaixonei, vivi momentos de muito amor e não me arrependo. Tenho um filho que é tudo para mim. Foi melhor assim.

 Ele que seja feliz com os seus. Eu vou procurar viver minha vida em paz.

-   Qualquer hora você vai encontrar alguém e re­fazer sua vida.

-   Não sei se quero. Estou vivendo em paz, sem ninguém para mandar em mim e depois, eu não supor­taria colocar em casa um homem que viesse a mandar em meu filho. É por esse motivo que desejo muito que nosso ateliê dê certo. Quero ganhar dinheiro, fazer meu filho estudar, ter uma carreira, ser bem encami­nhado na vida.

-   Vai dar certo. Vamos trabalhar muito, ganhar bastante dinheiro. 

Quero provar para minha mãe que eu posso, que sou capaz, e inclusive dar a nossa fa­mília uma vida melhor.

-   Isso mesmo. Vamos ao trabalho.

-   Assim é que se fala.

As duas foram para a sala de costura e dedi­caram-se ao trabalho com entusiasmo. Lidar com coisas bonitas, moda, tecidos coloridos, era muito agradável e elas adoravam.

A partir daquele dia, Jacira entrou na rotina. Le­vantava muito cedo e fazia tudo como no primeiro dia. Só não tinha horário para voltar. No decorrer dos dias, o serviço foi aumentando, novas clientes apareceram, ela ia chegando em casa cada dia mais tarde. Tomava o último ônibus.

Em casa, Geni fizera de tudo para impressioná-la. Nos primeiros dias deixara louça para lavar, roupas amon­toadas, casa sem limpar, mas como Jacira fazia tudo con­forme prometido, e ignorava o resto, ela fora forçada a ir cuidando da casa. Fingia-se de doente, mas, como a filha nunca estava, ela não tinha plateia.

Aristides tinha ido falar com José da oficina me­cânica para dizer que aceitava o emprego, mas ele já havia arranjado outra pessoa.

Como estava mesmo decidido a encontrar trabalho, todos os dias depois do café saía procurando. Depois de quase um mês finalmente chegou em casa muito alegre. Tinha conseguido um emprego. Reencontrara um ex-colega de fábrica que ao aposentar-se, com o dinheiro que recebera da empresa, alugara uma casa e montara um bar.


Ele andara o dia inteiro na sua busca, entrara no bar para tomar um refrigerante e viu no caixa seu amigo Euzébio. Abraçaram-se contentes e ao saber que Aristides desejava trabalhar disse-lhe:

- Estou precisando de um garçom. Tenho apenas um menino, que na hora do movimento não dá conta. É trabalho duro, é salário mínimo, mas tem as gor­jetas. Outra coisa, sem carteira assinada. 

Não tenho dinheiro para isso.

- Eu aceito. Quando posso começar?

- Amanhã mesmo. Eu abro às dez da manhã, mas se tem movimento vou até as onze da noite. O movimento maior é nos fins de semana.

- Eu estarei aqui amanhã às dez. Quando contou para Geni ela não gostou:

-  Um bar? No meio de pinguços e de mulheres da vida? Você vai ficar viciado depois de velho?

-  Você faria melhor em não ser tão maldosa. Vou trabalhar, trazer dinheiro para casa, melhorar a nossa vida. E é isso que você me diz?

Geni desatou a chorar:

- Todos me abandonaram! O que será de mim agora? O que foi que eu fiz para ser assim tão cas­tigada?

-   Você não faz outra coisa a não ser se queixar. É você quem atrai para esta casa a miséria em que se transformou nossa vida. De hoje em diante não quero ouvir nem mais uma frase de queixa. Se quiser ficar na maldade, fique sozinha. Eu tenho sessenta e três anos, mas me sinto forte, capaz e quero ter uma velhice me­lhor. Vou trabalhar, economizar, coisa que nunca fiz. Se tivesse feito, hoje seria um comerciante como Eu-zébio. Mas não, entreguei-me à preguiça, ao desânimo, achando que o mundo tinha acabado para mim. Mas Jacira fez-me ver que eu ainda posso mudar, fazer al­guma coisa, ser útil, sentir-me vivo.

-   Só eu vou ficar sofrendo!

-   Porque quer. Porque tem uma cabeça viciada na preguiça, na incapacidade. Vive de ilusão lendo essas revistinhas de fotonovela, sonhando com as mocinhas e com o príncipe encantado, como se a vida fosse só isso. Abra os olhos, mulher, antes que seja tarde. 

Cuide de si, da casa, de sua vida. Deixe de se queixar e fingir que está doente. Se não mudar, qualquer dia destes vai acabar ficando doente de verdade.

Geni soluçava desesperada. Nunca Aristides tinha sido tão duro com ela. Ele sempre a tratara com suavi­dade, desde o namoro, como se ela fosse uma boneca delicada. Por que estava sendo tão duro? Ela chorava de medo. Além dos filhos, corria o risco de perder também o marido? E se ele, desgostoso com ela, fosse embora de vez? O que seria dela?

Sem dizer mais nada, correu para o quarto, deitou-se e continuou chorando. Sentia que ele estava cansado de suas artimanhas para se poupar e obrigar os outros a fazer tudo do jeito que ela queria.


Mas no dia seguinte, assim que o marido e a filha saíram para o trabalho, ela, olhando a pia cheia de louças e a mesa posta, achou melhor arrumar tudo. Sentia-se solitária, abandonada.

Quando terminou, foi para o quarto pensando em deitar-se mais um pouco. Mas ao passar pelo corredor sentiu um cheiro desagradável vindo do banheiro.

Aristides tomara banho antes de sair e deixara toalhas espalhadas pelo chão. Irritada foi colocá-las no cesto de roupas sujas. Ele estava cheio. Lágrimas vieram-lhe aos olhos e ela não sabia se eram de raiva ou de repugnância por precisar fazer aquele serviço.

Jacira costumava cuidar de tudo antes de ir tra­balhar. Lembrou-se de que fazia alguns dias que ela não mexia no cesto. O cheiro de mofo vinha dele. Dei­xando as lágrimas correrem livremente, sustendo a respiração, Geni tirou toda a roupa e levou-a para o tanque. Resignada, colocou-as de molho em água e sabão enquanto a máquina de lavar enchia. Depois as colocou para lavar, foi para sala, apanhou uma revista, foi para o quarto e estendeu-se na cama mergulhando prazerosamente na leitura.

Mais tarde, sentiu fome. Desde que começara a trabalhar, Aristides comia no emprego.

- Nós servimos refeições aqui. Não tem cabimento você ir almoçar em casa - dissera Euzébio desde o pri­meiro dia.

A princípio Geni achara bom não ter de fazer al­moço. Comia qualquer coisa, pão, banana, ovo frito, o que tivesse na hora. Mas depois de alguns dias co­meçou a sentir vontade de comer um bom prato de arroz com feijão, um bife acebolado do qual ela gos­tava tanto.

Levantou-se e foi para a cozinha. Decidiu fazer um almoço de verdade. Colocou feijão na panela de pressão, refogou o arroz e aspirou o cheiro do tem­pero com prazer.

Enquanto cozinhava ela pensava:

"Todos foram embora. Ninguém liga para mim. Eles querem me ver acabada, chorando, implorando que me ajudem. Mas eu não vou lhes dar esse gosto. Vou me tratar bem. Fazer do jeito que eu gosto. Colocar aquela pimenta vermelha que eu adoro e o Tide não gosta."

Fez tudo no capricho e em vez de estender o pano de prato para comer, como de costume, foi buscar uma toalha, arrumou a mesa, com copo, guardanapo de papel e tudo. Depois se sentou satisfeita e almoçou, saboreando a comida que havia preparado, que nunca lhe pareceu tão gostosa.

Fazia muito tempo que não se sentia tão bem. Tanto que não deixou a louça para lavar. Arrumou tudo. Depois foi estender a roupa para  
aproveitar o sol. Quando acabou, apanhou uma revista e sentou-se na poltrona da sala para ler.

Naquela noite, Jacira trabalhou até muito tarde. Elas desejavam entregar dois vestidos para uma cliente que iria viajar para o exterior na noite seguinte e ela só se deu por satisfeita quando os viu prontos.

- É melhor você ir logo para não perder o ônibus. Pode deixar que eu guardo tudo.

Jacira concordou, apanhou a bolsa e saiu apressada. Ao chegar no portão encontrou com Nelson e disse:

- Eu não sabia que estava aqui!

-   Esqueceu? Você me prometeu que iria sair mais cedo. Estou esperando desde as nove e já são quase meia-noite.

-   Eu sinto muito. Mas nós tínhamos de acabar dois vestidos para entregar amanhã.

- Vamos andando, senão perderemos o ônibus.

Durante todo o trajeto de volta, Nelson ficou ca­lado. Jacira notou que ele estava irritado e sentiu-se culpada por ter combinado de sair mais cedo. Tentou conversar, mas ele respondia por monossílabos e ela também ficou calada.

Ao chegarem perto da casa dela, pararam e ele disse sério:

-   Nós precisamos conversar. Esta situação não pode continuar.

-   Eu não devia ter marcado tão cedo. Estava tão empenhada em acabar o serviço que só me dei conta do horário quando Margarida me alertou que eu iria Perder o ônibus.

- Vamos nos sentar na praça e conversar.

-  É tarde. Deixa para outro dia?

-  Não. Tem de ser hoje.

- Está bem. Mas não vamos demorar. Andaram até a praça, sentaram-se e Nelson se­gurou a mão dela dizendo em tom conciliador:

- Jacira, eu gosto muito de você. Depois de tudo que passei nesta vida, tinha jurado não amar mais nenhuma mulher. Quando a conheci, gostei porque sendo mais amadurecida, nosso relacionamento seria mais confiável.

Fez ligeira pausa e, notando que ela o ouvia com atenção, continuou:

- Quando você trabalhava na oficina, tinha horário, tudo ia muito bem. Mas depois que resolveu trabalhar com Margarida, nosso namoro tem sido prejudicado.

Ela retirou a mão e fez menção de responder, mas ele pediu:

- Estou abrindo meu coração e peço-lhe para ouvir tudo quanto tenho a dizer, sem me interromper.

Vendo que ela concordou, ele prosseguiu:

- Você não tem hora para estar comigo. Todas as noites trabalha até muito tarde e nos fins de semana, sempre tem mais alguma coisa para fazer na casa de Margarida. Eu me sinto rejeitado. Sinto que você não gosta tanto
de mim como eu pensava. Nunca me liga durante o dia, não se esforça para estar comigo. Para você o trabalho vem antes de mim. 

Eu fico sempre em segundo lugar. Isso não é amor.

Ele se calou triste e ela tentou esclarecer:

- Você está enganado. Você é meu primeiro na­morado. Eu prezo muito sua amizade. Mas, entenda, eu estou tentando melhorar de vida. Meu trabalho é muito importante e eu quero vencer. Até aqui minha vida tem sido muito difícil. Pela primeira vez estou tendo uma chance de conseguir coisa melhor. Nosso negócio está indo bem. Estou ganhando mais do que antes. E estou certa de que vai melhorar muito mais.

- Você já me disse tudo isso. Mas eu tenho uma proposta para lhe fazer. Estou me sentindo muito so­zinho. Quero que venha morar comigo. Tenho uma casa boa, ganho o suficiente para lhe oferecer uma vida confortável e você não vai mais precisar trabalhar. Se tudo der certo, mais tarde poderemos nos casar.

Jacira sentiu como se ele tivesse lhe jogado um balde de água fria. Teve vontade de responder que não. Mas ele segurou a mão dela novamente:

- Não responda nada agora. Quero que pense no assunto. É uma forma de demonstrar se gosta mesmo de mim e se confia no meu amor.

Jacira respirou fundo e respondeu:

- Está bem. Prometo que vou pensar. Mas agora pre­ciso ir. É muito tarde. Amanhã preciso me levantar cedo.

Ela levantou-se, ele abraçou-a com força e beijou-a nos lábios longamente. Depois disse:

- Pense bem. Eu quero muito você. Não vejo a hora de podermos estar juntos para sempre.

Jacira sentiu uma sensação desagradável, uma inquietação e vontade de ir embora.

Na porta de casa, despediu-se rapidamente e en­trou sentindo-se aliviada.

A casa estava às escuras e ela foi direto para o quarto. Havia jantado muito cedo com Margarida, mas apesar do adiantado da hora estava sem fome. Aquela conversa com Nelson a irritara muito. Tomou um banho e estendeu-se na cama recordando suas palavras.

Para ela, o trabalho significava sua libertação. A figura de Geni apareceu em sua mente. A proposta dele iria transformar sua vida e torná-la uma cópia de sua mãe. Agora que estava tendo a chance de tornar-se in­dependente, não permitiria que ninguém a impedisse.
Tendo decidido recusar a proposta dele, deitou-se e, sem pensar em mais nada, adormeceu.

 

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